Mercado de trabalho para a geração Z: o que está mudando em Salvador
Jovens soteropolitanos estão rejeitando o modelo tradicional de emprego e criando novas formas de trabalhar e ganhar dinheiro.
A geração Z de Salvador está redefinindo o que significa ter uma carreira. Pesquisa realizada pelo Sebrae-BA com 1.200 jovens entre 18 e 26 anos revelou que 67% preferem trabalho freelance ou empreendedorismo ao emprego formal com carteira assinada. O número é 20 pontos percentuais acima da média nacional.
Os motivos apontados pelos jovens são variados: flexibilidade de horário, possibilidade de trabalhar de qualquer lugar, autonomia para escolher projetos e, em muitos casos, renda superior à que conseguiriam num emprego convencional. "Ganho mais em três dias de freela do que ganharia num mês de salário mínimo. Por que eu ia querer uma CLT?", questionou a designer gráfica Taís Ferreira, 23 anos.
O fenômeno não é exclusivo de Salvador, mas na cidade tem características próprias. A forte cultura criativa baiana, combinada com o crescimento do turismo e da economia digital, criou um ambiente favorável para profissionais de design, fotografia, música, gastronomia e tecnologia que trabalham de forma independente.
O desafio, apontam especialistas, é a proteção social. Trabalhadores informais não têm acesso a benefícios como seguro-desemprego, FGTS e previdência social. "A liberdade tem um preço. A gente precisa pensar em como garantir proteção para essa geração quando ela envelhecer", alertou a economista Carla Mendes.